Pedro Massaio - Ensaio de quadriculografia portuguesa


Desenhador, Argumentista
(Portugal) Lisboa, 15 de Agosto de 1948

Jornalista, editor, ilustrador, autor, crítico e divulgador de banda desenhada, Manuel Pedro Dias Massano Santos nasce a 15 de Agosto de 1948, em Lisboa, tendo vivido durante alguns anos nos Açores (São Miguel), onde fez quase toda a escola primária. De regresso a Lisboa, conclui a 4.ª classe e frequenta o Colégio Militar.
Contacta com a banda desenhada desde tenra idade, pois começa a ler precocemente (com 4 anos), inicia-se como leitor do Cavaleiro Andante e mais tarde de outras revistas de BD, o que influencia decisivamente a escolha desta Arte (a Nona Arte, como também é conhecida a BD, por oposição ao Cinema, a Sétima Arte) como sua grande paixão. Curiosamente, teve no rígido Colégio Militar, um professor que um par de vezes por semana tinha o bom hábito de distribuir revistas de BD em francês pelos seus alunos durante as suas aulas, como motivação para ensinar o francês, o que lhe permite contactar com o que de melhor se fazia na bande dessinée franco-belga.
Frequenta o curso de Arquitectura na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, durante os anos 70, em simultâneo com trabalhos de banda desenhada, caricatura e ilustração, para jornais como Musicalíssimo, Observador, Volante e República.
A sua primeira banda desenhada publicada foi BZZZ, que aparece no suplemento Mosca, no Diário de Lisboa, em 1972, assinando então como Mané (de resto, a assinatura nos seus trabalhos teve outras cambiantes, como Pedro ou Manuel Pedro).
Massano está associado ao aparecimento da célebre e efémera revista Visão (1975-1976), inteiramente dedicada à banda desenhada e que pelas novas abordagens narrativas e gráficas marca fortemente uma ruptura entre os autores e leitores de BD no nosso país, numa aventura que dura 12 números.
Na mesma época (finais dos anos 70) passa também por outra revista de BD, associada a um programa da RTP, o Fungagá da Bicharada e por jornais tão variados como Autosport, Portugal Hoje, Ação Socialista, O País, Cinéfilo, Negócios, Diário de Notícias ou a revista Match Magazine.
O seu primeiro álbum editado foi A Primeira Aventura no País de João, segundo textos de Maria Alberta Menéres, em 1977, pela Comissão Organizadora do Dia de Camões e das Comunidades Portuguesas, com a impressionante tiragem de 500 mil exemplares, provavelmente uma tiragem sem paralelo no nosso país.
Segue-se o longo ciclo de O Abutre, uma série de breves tiras com um humor muito negro, iniciada no semanário A Luta, em 1978, se bem que a sua concepção seja anterior, pois já tinha apresentado um conjunto de tiras para publicação no jornal Musicalíssimo, em 1973, que entretanto ficaram na gaveta. Esta série teve continuação num conjunto de sete álbuns editados ao longo da década de 80, pela Europress. Nesta mesma editora foram lançados os álbuns A Lei do Trabuco e do Punhal: Mataram-no Duas Vezes e A Missão H...orrível. Uma aventura da minhoca Tropicalda, ambos em 1987, com a particularidade de o primeiro ter tido também publicação no Diário de Notícias desse mesmo ano.
Realiza alguns trabalhos de BD na área da publicidade e do marketing, como é o caso d'As Aventuras do Capitão Iglo, uma coleção de cromos, em 1987, O Natal do Sabião, para os CTT, em 1991, O Vitaminas em Ação eco... logicamente, para a Sumol Néctar, em 1991 e O cliente é o nosso rei e patrão
Dada a dificuldade de editar banda desenhada em Portugal, em meados dos anos 90, Pedro Massano chega a ter o seu próprio projecto editorial, com a PIM (Publicações Ilustradas Multicor), onde espera editar os seus trabalhos, o que chega a acontecer com um manual sobre as técnicas da BD, Como Fazer Banda Desenhada, e as tiras bem humoradas de Os Passarinhos
Em 1997 vê finalmente editado o primeiro volume de A Conquista de Lisboa, pelo Montepio Geral, que fez uma tiragem destinada à oferta aos seus associados e clientes, episódio que também foi publicado na revista Montepio Juvenil, entre 1997-1999. O segundo volume, Por Vontade de Deus saiu em 2002, sob a chancela da Booktree.
Neste trabalho, é possível observar uma abordagem pouco usual em banda desenhada histórica, dada a rara objectividade e pertinência com que são retratados os cristãos e os mouros, desmistificando conceitos ainda muito enraizados no ensino da História e em grande parte das BD históricas feitas por autores portugueses.
Massano tinha este projecto em curso desde há alguns anos, com o objectivo de estar pronto em 1997, por ocasião dos 850 Anos da Tomada de Lisboa aos Mouros.
Por ocasião do 25.º aniversário da revolução dos cravos, Massano participa na exposição itinerante Uma Revolução Desenhada: o 25 de Abril e a BD, para a qual, realizou uma curta história baseada na revolução, o mesmo sucedendo a outros autores portugueses que também participaram nesta obra colectiva, de que resultou um notável livro/catálogo (da Bedeteca de Lisboa/Edições Afrontamento, 1999).
Mantendo o tónico na História de Portugal, Pedro Massano, juntamente com o argumentista Patrick Lizé, um francês que vive em Portugal, desenvolve o primeiro título da mini-série Le Deuil ImpossibleLe Chevalier du Christ, editado em 2001 pela Glénat (uma das mais importantes editoras de banda desenhada francófona), que nos dá a conhecer uma curiosa história passada em torno de um homem que aparece em Roma, em 1598, dizendo tratar-se de el-rei D. Sebastião de Portugal, o que vai provocar uma autêntica tempestade diplomática pois, a seguir ao desastre de 1578, o rei espanhol Filipe II assumiu em simultâneo o trono português, sob o título de Filipe I.
Por ocasião do referendo sobre a regionalização, Massano desenvolve, para a página na Internet do Ministério da Administração Interna, as tiras de Dick Tetiv, numa toada de bom humor, que foram aparecendo em junho de 1998, durante várias semanas. As tiras de Dick Tetiv, incluindo as inéditas, foram reunidas num livro editado pela Câmara Municipal de Moura em 2001.
No semanário Eco Regional, do qual é director, tem publicado as tiras de Contacto em Lisboa, uma BD policial realista, e Os Passarinhos, uma tira humorística, para além de ser responsável por uma página de informação e crítica sobre a BD portuguesa, Quadradinhos à Portuguesa

Adaptado da Editora Gradiva

One-shots publicados em Portugal:
  • A lei do trabuco e do pinhal -  Mataram-no duas vezes..., Luís Avelar (arg.), Álbum Europress [1987]
  • Minhoca Tropicalda - Missão H...órrivel, Álbum Europress  [1987]
  • A conquista de Lisboa, 1997, Álbum Montepio Geral [1997]
  • O comboio do ouro, 1999, Selecções BD [2º série] #14
  • O abutre, Cadernos Sobreda BD #14
  • Contacto em Lisboa, Cadernos Sobreda #14
  • A conquista de Lisboa - Tomo 2 - A vontade de Deus, 2002, Álbum Book Tree [2002]
  • Le neuvième rêve 2, 2003, in Vasco Granja, Álbum Edições ASA [2003]
  • Salúquia, a lenda em banda desenhada, 2009, Colectivo, Álbum Câmara Municipal de Moura [2009]
  • A batalha - 13 de Agosto de 1385, 2014, Álbum Gradiva [2014]
  • Revisão - Bandas desenhadas dos anos 70, Colectivo, Marcos Farrajota [2016]
[actualizado a 21-3-2018]

Gos - Ensaio de quadriculografia portuguesa

Roland Goossens
Desenhador, Argumentista
(Bélgica) Thy-Le-Château, 1 de Março de 1937

Em 1964, Gos ingressa nos Estúdios Peyo, participando no argumento de Jacky & Célestin, uma série desenhada por Walthéry. Colabora em inúmeros episódios da série Schtroumpfs. Em finais de 1966, desenha para a revista Spirou a série Babou le petit puma e, no ano seguinte, colabora no argumento de Panade à Champignac, uma aventura de Spirou & Fantásio, desenhada por Franquin. Dois anos mais tarde, uma vez mais com Walthéry, redige o argumento de Cirque Bodoni (um episódio de Benoît Brisefer) e as primeiras aventuras de Natacha.  Em 1970, assume o desenho de Gil Jourdan, continuando Maurice Tillieux a escrever os textos. Em Novembro de 1972, lança a sua própria série, Khéna

Séries publicadas em Portugal:
Benoît Brisefer, Menino Boavida, Natacha, Roland Labricole, Schtroumpfs, Spirou & Fantasio

[actualizado em 10-11-2014]

Henri Desclez - Ensaio de quadriculografia portuguesa

Desenhador, Argumentista
(Bélgica) Braine-le-Comte, 5 de Novembro de 1942

Henri Desclez cria as suas primeiras BD’s, em cooperação com o argumentista Michel Noirret, para a revista Pilote em 1967 e 1968. Um ano mais tarde, juntou-se ao Le Soir-Jeunesse, onde assume a série Microft e Klaxon com André-Paul Duchateau. Também para esta revista, realiza Le Tailleur de Londres e Les Mystéres de Bruges sob o pseudónimo de Hapic. Novamente com Duchateau, cria, em 1969, Saint Fauston para a Tintin e Richard Bantam para a Spirou em 1970. A última série foi mais tarde desenhada por Henri Decoster.
Em 1972, funda os Studios Desclez, através do qual produz adaptações à BD da série San-Antonio, co-desenhada por Franz e publicado pela Fleuve Noir. Nesse mesmo ano, torna-se editor-chefe da edição belga de Pilote, onde abre as portas a muitos artistas nacionais. No Tintin, ilustra Les Chroniques du Griffon Noir e Gaspard le Bâlois.
Desclez muda-se para o Canadá, onde funda a sua própria editora, que publica BD’s de artistas canadianos, assim como romances policiais de André-Paul Duchateau. Além disso, Desclez produz novas séries, como BriseboisPic et Nic (ambos co-escritos por Andrée Brault), Diógenes Monsieur TranquilleDesclez deixa a BD e dedica-se à pintura.

Séries publicadas em Portugal:
Mycroft & KlaxonSaint-FaustonSan-Antonio (As aventuras do Comissário)

[actualizado em 13-11-2014]

Cavaleiro Andante - Ensaio de quadriculografia portuguesa

Ficha técnica:
Datas de publicação: #1 (Abril de 1954) a #107 (Abril de 1963)
Dimensões aproximadas: 215x290 mm
Cor: P/B
Director: Adolfo Simões Müller
Propriedade: E. N. P.


Séries publicadas:
Barba-Ruiva, Ben Dinamite, BessyBoule & BillBuz SawyerCapitão AudazCapitão FlambergeCavaleiro Branco, Davy Crockett, Flama de PrataJohan & PirlouitKim DevilLili Hospedeira do ArMark Trent, Marlin Kele, Modeste & PomponPioneiros da EsperançaPrudence PetitpasRic Hochet, Rob Boy, Senhor Tric (O), Sexton Blake, SpaghettiTio Paulo (As mais belas do), Zorro

One-shots publicados:
  • O tesouro dos mares do sul (Il tesoro di Tahorai -Tiki.Tabù), Caprioli, #4
  • 20.000 léguas submarinas,  D'Antonio, #7
  • O tesoiro do fundo do mar, Giovanini, #11
  • A orfã do circo (L'orpheline du cirque), 1953, Le Guen e Marijacq, #13
  • A descoberta da Ilha da Páscoa (La découverte de l'ile de Pâques), 1955, Follet e Duval, #15
  • O conde de Monte-Cristo (Le Comte de Monte-Cristo), 1955, Funcken, #17
  • Natal em Holdenberg (La nativité D'Holdenberg), 1954, Funcken, #19
  • Ascari, a vida de um campeão (Ascari), 1955, Graton, #20
  • Homens e feras (?), Albertarell, #31
  • O hussardo da morte (Le hussard de la mort), 1950, Caprioli e Roudolph, #31
  • Piratas do Atlântico, Giovanini, #32
  • A tribo sem fogo (La tribu del fuoco spento), 1955, Chiletto e Vindice, #33
  • Os cavaleiros do corvo (Il cavalieri del corvo), 1950, Bellavitis e De Barba, #33
  • Os guerrilheiros de São Marcos (Per il leona di S. Marco), ?, Giovanini, #37
  • Rodolfo Diesel (Rudolph Diesel), 1956, Attanasio, #41
  • Os náufragos do Boa Viagem, De Luca, #42
  • O tigre de Sumatra (Il fanti di picche+Nel mare chinese del Sud+Le tigri de Sumatra), ?, Caprioli, #43
  • O colar etrusco, De Luca, #44
  • Os três J, De Luca, #49
  • Ladrões do deserto (Gli ultimi predoni del Sidamo), Caprioli, #50
  • A ilha das pérolas (Fra i Canachi di Matareva+L'isola giovedi), Caprioli, #54
  • Rudyard Kipling (Rudyard Kipling), 1958, Attanasio, #64
  • Marconi (Marconi), 1958, Attanasio, #66
  • O estranho senhor Cícero (L'étrange Monsieur Cicéron), 1959, Cheneval e Duval, #69
  • O estandarte branco (Bianco stendardo), 1960, Caprioli e Belloni, #69
  • Duelo ao entardecer, Gloesner, #70
  • Rossini (Rossini (1792-1868)), 1958, Attanasio, #71
  • O rei dos mares (Edwy dell'ultima Tule), Caprioli, #74
  • Os bandidos do Yucon (Yucon selvaggio), 1960, Caprioli, #75
  • O primeiro voo do Harry (Le premier vol de Harry), 1960, Cheneval e Duval, #76
  • A invenção da Santa Cruz (L'invention de la sainte croix), 1958, Cheneval e Duval, #77
  • William Shakespeare (William Shakespeare), 1958, Funcken, #78
  • O trovador da Normadia, Funcken, #80
  • O grande gelo, Zeccara, #81
  • O gladiador do Quénia (Il gladiatori del Kenia), 1960, Caprioli e Silvestri, #82
  • Os domadores de potros (Il piccolo domatore), 1950, Bellavitis e Belloni, #82
  • O caso da rua 14 (Giallo alla 14ª strada), De Luca e Basari, #84
  • O monge Eustáquio foi o primeiro corsário (Eustache Lemoyne le premier corsaire), 1959, Funcken e Step, #84
  • Fausto Coppi, 1960, Graton e Duval, #84
  • A espora de ouro, Polese, #87
  • O génio negro, Adriano Blasco, #88
  • O tesouro dos Maias (Le trésor des Mayas), 1961, Cheneval e  Duval, #89
  • A espada sobre o peito, Giovanini, #90
  • Os mosqueteiros do mar (Il moschettieri del mari), Caprioli e Forina, #90
  • A ilha das pérolas, Polese, #91
  • Mayne Reid (Mayne Reid), 1960, Cheneval, #91
  • Herman Geiger, o piloto dos gelos (Hermann Geiger le pilote des glaciers), 1960, Cheneval e Step, #91
  • Agatha Christie, ? e Duval, #94
  • O imperador do mar (L'imperatore del mare), 1961, Caprioli e Basari, #94
  • Sónia e o mar, Aidans, #95
  • Os iguanodontes de Bernissart (Les iguanodons de Bernissart), 1962, Cheneval e Duval, #97
  • O imperador dos mares da China, 1961, Péon, #101
  • O mistério do «Copenhague» (Le mystère du cinq-mats Copenhague), 1962, Ramboux e Duval, #101
  • Asas no céu, Polese e Roudolph, #105
  • O capitão, Pascal, #106
  • A última audiência de Ramsés II (La dernière audience de Ramsès II), 1962, Fédor, #106
  • Antoine de Saint Exupéry, aviador e escritor (Antoine de Saint-Exupéry aviateur et écrivain), 1962, Cheneval, #107
[actualizado em 2-5-2015]

As Grandes Batalhas da História

Les Grands Batailles de l’histoire en BD

Histórico
(França) Éditions Larousse, Fevereiro de 1983 – Março  de 1985
Jean Faure Bruno (desenho) e Brice Goepfert (texto)
Outros autores: Erik Arnoux e Georges Castellar
Estreia em Portugal: Álbum Agência Portuguesa de Revistas, 1985


  • As batalhas napoleónicas - Austerlitz e Waterloo (Les batailles napoléoniennes - Austerlitz et Waterloo), 1983, Arnoux e Castellar, Álbum Agência Portuguesa de Revistas [1985]
[actualizado a 3-5-2015]

Capitão Flamberge

Capitaine Flamberge

Aventura
(França) Coq Hardi #138, 1948- Coq Hardi (2ª série) #37, 1951
Marijac (argumento) e Etienne Le Rallic (desenho)
Estreia em Portugal: Cavaleiro Andante #219, 10 de Março de 1956
Outras publicações: Álbum do Cavaleiro Andante


Flamberge assiste em Paris ao rapto de Angélique de Chavagnac pelos homens de Concini. Com a ajuda do bravo Partacan, o Capitão Flamberge afronta o sinistro italiano que com a Rainha conspira contra o jovem rei Luís XIII.

Jack Palmer


Humorístico
(França) Pilote #742, 1974
René Pétillon (argumento e desenho)
Estreia em Portugal: Álbum Meribérica, 1988
Outras publicações: Selecções BD (1ª série), BDN

Jack Palmer não é um detective modelo. Repórter de choque e detetive catástrofe, Pétillon usa Palmer para ridicularizar o seu mundo.


Bibliografia portuguesa:
  • O pequenês (Le pékinois), 1987, Álbum Meribérica [1988]; Selecções BD #13 a #15; BDN #55 a #65

Esta página destina-se a compilar a banda desenhada publicada nas revistas portuguesas do século XX. Os dados constantes desta base de dados foram retirados das revistas, álbuns, bibliografia especializada e páginas da Internet. As informações constantes desta base de dados não se consideram completas, sendo meramente uma comparticipação do autor para o estudo da banda desenhada publicada em Portugal. Contudo, as bases de dados estão em permanente actualização. A catalogação dos episódios está, quando possível, ordenada por ordem cronológica da sua edição no país de origem. Nos autores, o primeiro nome refere-se ao desenhador. O ano refere-se à primeira publicação do episódio. Desde já, agradeço quaisquer colaborações para o desenvolvimento desta página, enviando correcções, aditamentos ou sugestões através do formulário da página.